O que é a Campanha MenCare?

Atualmente, 40% do trabalho formal e remunerado no mundo é realizado por mulheres, sendo que os homens ainda não assumem 50% das tarefas de cuidado (ex.: tarefas domésticas, cuidado de crianças e/ou idosos).

As maiores estruturas que sustentam a desigualdade de género são as normas sociais e culturais que definem o conceito de masculinidade e do que significa ser 'homem'. Estas valorizam o seu papel de provedor económico e garante da segurança da família e continuam a negligenciar a sua responsabilidade nas tarefas domésticas e na prestação de cuidado, assim como na demonstração de afeto, papéis tradicionalmente atribuídos à mulher. No entanto, sabemos que 4 em cada 5 homens no mundo serão pais, em algum momento das suas vidas, e que todos os homens são filhos, tios, irmãos, elementos de referência de alguém.

A pesquisa IMAGES (International Men and Gender Equality Survey) revela a participação dos homens em tarefas de cuidado e na paternidade tem efeitos positivos na vida das mulheres, crianças e dos próprios homens, e são decisivas para a redução da violência e a promoção da justiça social. Homens com atitudes equitativas de género têm mais possibilidades de ser felizes, de conversar com o seu parceiro, de terem vidas sexuais mais felizes, beneficiando ainda de uma melhoria da saúde física e mental, com uma diminuição dos níveis de stress e de doenças cardíacas O mesmo estudo sugere uma importante correlação entre paternidade positiva e menores níveis de propensão à depressão ou mesmo ao suicídio. Do mesmo modo, as mulheres cujos maridos ajudam nas tarefas domésticas e no cuidado dos filhos revelam maiores níveis de satisfação na relação conjugal, bem como na sua vida sexual, contribuindo ainda para uma gestação saudável, ascensão no mercado de trabalho e prevenção de doenças.

Outras pesquisas do Instituto Promundo mostram também que, mesmo quando os homens realizam tarefas de cuidado, muitas vezes não se sentem apoiados por seus familiares, amigos ou colegas de trabalho. Muitas vezes a ideia de que homens e meninos não sabem ou não devem realizar esta função ainda é propagada pelas próprias mulheres. Além disso, muitos homens apesar de reconhecerem, no abstracto, a igualdade de género, não a colocam em prática nas suas rotinas diárias. É necessário um trabalho profundo de consciencialização e sensibilização.

Os homens que estão presentes no cuidado das crianças desde a fase pré-natal até ao nascimento da criança têm mais possibilidades de se sentirem ligados a essa criança, estabelecendo a base para uma relação longa de afeto e proximidade. O reconhecimento e o gozo da licença de paternidade assume, neste contexto, uma importância ímpar na promoção de uma paternidade de afetos e cuidado, e promotora da igualdade de género.

A atual crise económica e financeira que Portugal enfrenta lança ainda mais desafios à complexidade da temática e ao exercício da paternidade (e maternidade). As políticas de austeridade, bem como o recuo do Estado social têm gerado entre a população masculina (e feminina) uma crescente sensação de incapacidade de prover a segurança financeira e assegurar as necessidades básicas das suas famílias, colocando-as num grave stress económico[1] e levando-os a abdicar do gozo da licença de paternidade.

O objectivo último desta campanha é promover paternidades não-violentas, cuidadoras e promotoras da igualdade de género por forma a atingir o bem-estar no seio das famílias, a igualdade de género e justiça social.

[1] Globalmente, entre 34% e 88% homens sentem-se stressados ou deprimidos por não terem rendimento suficiente face às suas necessidades ou por não terem trabalho, e são mais propensos a usar violência contra o seu conjuge..

Cordenação Parcerias